A guerra não é o caminho

A guerra não é o caminho

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A guerra nunca foi um caminho. Na verdade, ela não é o caminho.

E, quando eu digo guerra, não estou falando apenas dos conflitos externos, daqueles que acontecem fora de nós. Estou falando, principalmente, das guerras internas que cada um carrega. Aquelas que travamos em silêncio, dentro da nossa própria história, dos nossos medos, das nossas dores e das nossas sombras.

Quando vencidas, essas guerras trazem luz para o nosso caminho. Elas nos ajudam a enxergar melhor quem somos, a compreender nossas reações, nossos limites, nossas escolhas e aquilo que ainda precisa ser cuidado dentro de nós.

Mas, quando não conseguimos resolver essas guerras internamente, muitas vezes acabamos externalizando aquilo que ainda não foi clareado. E, quando isso acontece, aquilo que era nosso começa a respingar em outras pessoas.

Às vezes, porque ainda não tivemos maturidade emocional para olhar para dentro antes de agir para fora.

E é difícil quando isso acontece. É muito difícil perceber que algo que não conseguimos cuidar em nós acabou transbordando para o outro.

Por isso, eu quero dizer aqui: a guerra não é o caminho.

Porque, no fim das contas, é a sua paz que sempre vai importar. É o quanto você consegue estar consciente do seu equilíbrio, das suas atitudes e daquilo que escolhe alimentar dentro de si.

Esses dias, riscaram o meu carro dentro do prédio onde eu moro. No primeiro momento, pensei em inúmeras coisas. Pensei em fazer uma denúncia, em chamar a pessoa que eu suspeitava para conversar de forma dura, em entrar em uma discussão. Pensei até em culpar meu marido. Pensei em muitas possibilidades.

Enquanto eu tentava racionalizar aquele sentimento, percebi que havia raiva. Muita raiva.

O fato envolvia uma pessoa que, na minha visão e na minha percepção, não era exatamente um bom vizinho. Depois de algum tempo, mandei uma mensagem. A pessoa não respondeu de forma amigável, e isso aumentou ainda mais a minha raiva, a minha vontade de conflito, a minha sede de resolver aquilo de alguma forma.

Em determinado momento, eu desci para tentar resolver a situação. E, no fim, aquilo não levou a absolutamente nada.

Depois de tudo, eu decidi deixar por assim. O arranhão não foi tão grande. E não era apenas sobre dinheiro. Era sobre entender até onde aquele conflito seria realmente benéfico para mim.

Pensei: eu posso pagar pelo conserto. Talvez a outra pessoa esteja passando por dificuldades financeiras. Talvez existam outras questões por trás, outras justificativas que nem cabem a mim expor aqui.

Mas, naquele momento, eu decidi não escolher o conflito. Eu decidi a paz.

Entendi que, se eu quisesse, aquela guerra poderia perdurar por muitos dias. Eu poderia alimentar aquilo, remoer, insistir, discutir, tentar provar um ponto. Mas escolhi não fazer isso.

E isso não significa que amanhã eu vá decidir da mesma forma. Também não significa que o conselho que quero deixar aqui seja para que as pessoas sejam impunes, ou para que a gente simplesmente aceite tudo calado. Não é nada disso.

A questão é: o quanto aquela discussão seria benéfica para mim? O que eu ganharia alimentando aquele conflito? O que aquela guerra tiraria da minha paz?

Naquele momento, eu entendi que não valia a pena. Então segui adiante. E ficou assim.

Existe um ditado popular que diz que a gente precisa escolher as nossas batalhas. E talvez seja bem por aí. Mas, ao mesmo tempo, eu não quero acreditar que a vida precise ser uma constante batalha. Eu não quero viver como se tudo fosse guerra, disputa, defesa ou ataque.

Então, em vez de escolher uma batalha, eu escolhi a minha própria paz.

Também entendi que, de certa forma, aquele conflito externo havia tocado em algo interno meu que talvez ainda não estivesse tão bem resolvido. E, sim, eu posso ter me equivocado na fala, na reação, na forma como conduzi aquele momento.

Mas é justamente por isso que volto à ideia central: a guerra não é o caminho.

Eu venho reforçando a importância de integrar a nossa luz e a nossa sombra. Porque é essencial olhar para dentro, reconhecer o que existe em nós e entender para onde queremos caminhar.

Caminhar apenas sonhando, sem os pés firmes no chão, não adianta. Mas viver apenas com os pés no chão, sem olhar para o céu e sem permitir que a alma sonhe, também não vale a pena.

A vida pede equilíbrio. Pede a coragem de reconhecer quando vale lutar e quando é mais sábio silenciar. Quando é necessário se posicionar e quando é mais bonito simplesmente seguir.

Porque paz não é fraqueza. Paz também é escolha. Paz também é força. Paz também é maturidade emocional para não transformar toda dor em guerra, toda frustração em ataque, toda injustiça em campo de batalha.

No fim, talvez a maior vitória não seja vencer o outro.

Talvez seja vencer, dentro de nós, aquilo que queria nos tirar do eixo.

E, quando isso acontece, a guerra perde força.

E a paz, enfim, encontra caminho.

Por Geovana Constantino