
A tal da felicidade
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O que é, afinal, ser feliz?
Nem preciso dizer que hoje vivemos em um mundo onde a comparação está em todos os lugares. A gente se compara o tempo inteiro com a vida dos outros, com conquistas, com padrões. E essa comparação constante afeta diretamente a nossa autoestima, que por sua vez impacta a nossa felicidade.
Percebo também que muitas pessoas buscam a felicidade do lado de fora. Buscam no externo uma motivação, talvez porque ainda não tenham encontrado essa felicidade dentro de si.
Ao mesmo tempo, ouvimos frases que se repetem como um mantra:
“a felicidade está na simplicidade”,
“busque a felicidade dentro de você”.
Mas, sendo muito sincera, essas frases às vezes parecem quase místicas. O que isso realmente quer dizer?
O que significa buscar a felicidade no simples?
Significa que devemos viver uma vida totalmente simples?
Que devemos nos abdicar dos bens materiais?
Na minha percepção, felicidade não é exatamente isso.
Para mim, felicidade é algo muito mais profundo e ao mesmo tempo muito simples.
Ela está em ser em essência.
E esse “ser em essência” significa viver de forma mais próxima e fiel a quem você realmente é. Significa viver com autenticidade.
Mas é importante não confundir autenticidade com agir impulsivamente ou justificar qualquer comportamento. Ser autêntico não é dizer: “hoje eu vou ser minha essência e mandar todo mundo se lascar” ou “hoje eu vou escolher viver na raiva”.
Isso não é essência. Isso muitas vezes é apenas o reflexo de um desequilíbrio interno e tudo bem reconhecer isso também.
Quando falo em essência, falo de algo mais profundo. Algo mais próximo daquilo que você é quando está conectado com a sua própria luz.
Eu realmente acredito que todos nós somos luz em meio a este mundo. Não estou falando de ser perfeito ou santificado. Estou falando de sermos pequenos focos de luz.
E quando nos afastamos dessa luz, muitas vezes é porque ainda estamos tentando encontrar equilíbrio. E isso faz parte da caminhada.
Às vezes queremos encontrar esse equilíbrio de um dia para o outro. Queremos ser uma nova pessoa imediatamente. Mas a vida não funciona assim.
A vida é justamente essa trajetória: errar, acertar, aprender, tentar novamente e ir, aos poucos, se aproximando de quem realmente somos.
E quando falo em essência, gosto de lembrar de algo muito bonito: a nossa infância.
Você já parou para pensar nos sonhos que tinha quando era criança? Na curiosidade que existia em cada dia?
Quando éramos pequenos, acordávamos com a sensação de que havia um mundo inteiro a ser descoberto. Tudo era novidade. Tudo despertava imaginação.
Uma pedra e um graveto podiam virar desenhos, histórias, símbolos, aventuras inteiras dentro da nossa cabeça. E aquilo nos fazia sorrir.
Talvez felicidade não seja exatamente voltar a ser criança.
Mas talvez seja trazer um pouco dessa criança para a vida adulta.
Resgatar a imaginação.
A criatividade.
Os sonhos que ficaram esquecidos pelo caminho.
Porque, se não fizermos isso, corremos o risco de entrar no piloto automático da vida na rotina que o mundo nos propõe.
Crescer.
Trabalhar.
Pagar contas.
Continuar trabalhando.
E muitas pessoas hoje estão começando a questionar esse modelo.
Percebo cada vez mais gente querendo encontrar um novo jeito de viver. Pessoas tentando escapar dessa sensação de que a vida é apenas uma sequência de obrigações até o fim.
E isso, na verdade, é um movimento muito bonito.
Talvez seja um despertar coletivo para algo mais verdadeiro.
Por isso eu deixo aqui um convite.
Resgate um pouco da sua essência.
Quando acordar pela manhã, tente fazer uma pequena pausa. Agradeça pelo dia. Pense que existe mais uma oportunidade de viver, de aprender, de transformar alguma coisa.
Para algumas pessoas isso pode parecer difícil.
Às vezes o dia já começa cheio de tarefas: trabalhar, resolver problemas, cuidar da casa, da família.
Mas mesmo dentro da rotina existem pequenas possibilidades de transformação.
Preparar um café com calma.
Ouvir uma música que você gosta.
Brincar com seus filhos.
Respirar fundo antes de começar o dia.
São gestos simples, mas que mudam completamente a forma como vivemos o cotidiano.
E talvez a felicidade esteja justamente aí.
Na forma como olhamos para o que já faz parte da nossa vida.
Se você tem um sonho como escrever, por exemplo não precisa realizar tudo de uma vez. Não precisa escrever um livro inteiro da noite para o dia.
Comece pequeno.
Hoje você pensa em uma ideia.
Amanhã escreve uma frase.
Depois escreve uma página.
E assim, aos poucos, os sonhos vão ganhando forma.
Ser feliz talvez seja isso:
aproximar-se cada vez mais daquilo que você é de verdade.
E com a coragem de continuar caminhando.
Porque, no fundo, acredito que quanto mais próximos estamos da nossa essência, mais próximos também estamos da felicidade.
Por Geovana Constantino