Deixa eu querer voar e enfrentar meus problemas

Deixa eu querer voar e enfrentar meus problemas

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Sabe quando você se vê em uma encruzilhada na vida?

E percebe que, naquela encruzilhada, só existe uma saída possível: a sua liberdade.

Mas a liberdade nem sempre tem a ver apenas com fazer o que se quer, na hora que se quer. Ela também tem a ver com assumir integralmente os riscos da própria vida. Assumir quem você é a partir de agora.

Eu me lembro de uma fase muito importante da minha vida em que eu estava, na verdade, me conhecendo.

E uma música do Vitor Kley ecoava constantemente dentro do meu coração:

“Deixa eu querer voar e enfrentar meus problemas. Eu mirei na lua e acabei acertando as estrelas.”

Essa música falava exatamente sobre um período em que eu queria me testar. Queria conhecer o mundo, mas principalmente conhecer a mim mesma. Um período em que eu queria me enxergar além do olhar do outro. Entender onde estava a minha confiança, a minha capacidade, a minha própria identidade.

Porque, às vezes, seja por medo, falta de confiança, ingenuidade ou até comodismo, a gente acaba entregando quem somos nas mãos de outras pessoas.

E, com o tempo, vai se perdendo.

A gente se perde até nos próprios gostos, por acreditar que o gosto do outro é melhor, mais válido ou mais certo do que o nosso. Ou simplesmente porque já não se conhece mais.

E é interessante perceber que, muitas vezes, o convite para essa mudança chega através de uma dor.

Uma decepção amorosa.
Um rompimento.
Uma mudança drástica.
Um vazio.
Uma crise.

Nem sempre precisa ser tão doloroso, mas às vezes é.

E talvez seja justamente porque algumas travessias precisam nos atravessar profundamente para que a transformação aconteça de verdade.

Hoje eu olho para aquela fase da minha vida como uma oportunidade que tive de me reencontrar.

Porque negligenciar a si mesmo é doloroso.

Mas se reconectar consigo pode ser uma das experiências mais libertadoras que existem.

Quando a vida nos dá a oportunidade de nos expandirmos, existe também um convite silencioso: o de parar de viver apenas para corresponder às expectativas externas.

E às vezes temos medo disso.

Medo de magoar o outro ao começar a nos amar.
Medo de decepcionar ao começar a nos escolher.
Medo de parecer “rebeldes” simplesmente porque decidimos existir de forma mais autêntica.

Então a gente pensa:
“Não vou mudar tanto assim…”
“Não vou me permitir tanto assim…”
“Não vou me rebelar tanto assim…”

Porque fomos ensinados que amar o outro muitas vezes significa abandonar partes de nós mesmos.

Mas eu não levaria isso tão a sério.

Porque quem deseja permanecer na sua vida vai precisar aprender a amar quem você realmente é e não apenas a versão de você que cabia nas expectativas dele.

Isso é amor.

O amor não é um contrato silencioso onde alguém determina exatamente como você deve agir para continuar merecendo afeto.

“Enquanto você agir assim, eu te amo.”
“Enquanto você corresponder ao que espero, eu permaneço.”

Desculpa… isso não é amor.

Eu vi esses dias uma frase que dizia que o amor se parece com um rio.

Você não pede para um rio mudar sua rota.
Você não exige que ele se molde ao seu desejo.
Você apenas o observa correr.

E talvez nós, como seres humanos, também sejamos assim.

Multidimensionais.
Mutáveis.
Profundos.

Tem dias em que estamos muito bem.
Tem dias em que estamos muito mal.
Tem dias em que nos reconhecemos.
Tem dias em que estamos completamente perdidos.

E talvez o grande convite da vida não seja o de endurecer o outro dentro das nossas expectativas… mas aprender a enxergar com mais presença, mais escuta e mais amor.

Inclusive a nós mesmos.

Então, se eu pudesse desejar algo a você, seria isso:

Que você tenha coragem de olhar para si com mais amor.

Que você se permita se rebelar de forma amorosa consigo mesmo.
Que você se permita tentar.
Errar.
Descobrir.
Recomeçar.
Mudar de ideia.
Assumir os riscos das próprias escolhas.

Porque existir de verdade exige coragem.

E se for para voar…
que seja em direção à sua própria verdade.

Por Geovana Constantino