
Há tanta vida lá fora
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Hoje eu me dei uma pausa.
Fui ao salão de beleza algo simples, fazer as unhas mas acabou sendo mais do que isso.
Foi interessante perceber o movimento da vida quando a gente sai de casa. E lembrar que, como diz Renato Russo, “há tanta coisa lá fora”.
Essa saída, que parecia comum, me trouxe um tipo de pausa que fazia tempo que eu não vivia.
Uma pausa para observar. Não exatamente a minha vida, mas a vida acontecendo ao redor.
Assim que cheguei ao salão, fui recepcionada e fiquei esperando. E, quase que automaticamente, minha mente correu para o celular.
Era como se aquele pequeno intervalo não pudesse ser ocupado pelo silêncio. Como se eu estivesse programada a não parar, a não refletir.
Ficar ali, apenas observando, me causou uma leve inquietude.
E a sensação foi clara: “você está perdendo tempo olhando ao redor”.
Por isso, peguei o celular.
Rolei alguns vídeos, mudei de rede social, fui para o e-mail… sem realmente ter algo para fazer. Só ocupando o tempo.
Até que, depois de alguns minutos, veio um “toc-toc”.
Como se algo dentro de mim chamasse.
Eu fechei o celular.
E comecei a olhar em volta.
Quase todas as pessoas estavam no mesmo movimento: presas às suas telas.
E, pela primeira vez naquele momento, eu quis simplesmente observar.
Não por curiosidade invasiva, não para saber da vida de ninguém mas para perceber o movimento.
O ambiente. As pessoas.
Reparei nos detalhes:
no corte de cabelo de alguém,
na expressão ao sorrir,
na forma como conversavam,
no cuidado de quem fazia as unhas com delicadeza,
no som da música ao fundo,
nos pequenos gestos.
Sem julgamento. Só presença.
E foi curioso perceber como esse simples ato de observar me trouxe algo tão profundo:
a consciência de que existe, de fato, muita vida acontecendo fora da nossa própria bolha.
A gente vive, muitas vezes, dentro de um mundo tão centrado em nós mesmos…
e também dentro de uma realidade filtrada pelas redes sociais, onde quase tudo se parece com a gente.
Mas, ali, existiam diferenças.
Pessoas com histórias, hábitos, formas de pensar e viver completamente distintas.
E isso é vida.
Prestar atenção ao outro, de forma genuína, é um ato de amor.
É também um exercício de empatia algo que, aos poucos, parece que estamos perdendo.
Eu me lembrei de quando, antigamente, bastava um semblante mais triste para alguém perguntar:
“Você está bem? Precisa de ajuda?”
Hoje, muitas vezes, a gente nem percebe.
Às vezes, alguém ao nosso lado está mal e a gente simplesmente não vê.
Estamos cada vez mais isolados no nosso próprio mundo.
Como se o problema do outro não nos dissesse respeito.
E eu entendo: precisamos cuidar da nossa energia, do nosso espaço, de nós mesmos.
Mas será que dá para fazer isso sem se fechar completamente?
Talvez esteja nas pequenas coisas:
um olhar,
um sorriso,
um “obrigada”,
um gesto simples de educação.
Pequenos movimentos que trazem de volta uma vida que, às vezes, parece faltar dentro da gente.
Reviver isso, hoje, foi especial.
Porque eu percebi que essa sensibilidade sempre esteve em mim, só estava esquecida.
E fica aqui um convite, simples:
Que tal, hoje, prestar mais atenção aos movimentos da vida ao seu redor?
Por Geovana Constantino