
Irmãos também são lar
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Imagine ter a vida amparada por três pessoas que te conheciam muito além do que você mesma conseguia se enxergar.
Imagine ser acolhida por pessoas que eram lar. Pessoas que você tinha como referência de amizade, suporte, respeito e amor. E pensar que aqueles três seres humanos eram, de certa forma, o seu mundo.
Hoje, esse texto é para os meus três irmãos.
Por muito tempo e já se passaram quase uma década, meus irmãos foram a minha própria base. Não consigo imaginar minha infância e minha pré-adolescência sem a presença deles. Em muitos momentos da vida, cheguei até a pensar que não precisava de amigos, porque eu os tinha. E os tinha em todos os sentidos possíveis.
Meus irmãos foram aquelas pessoas com quem eu sabia que podia contar, podia brigar, podia ser sincera e simplesmente ser eu.
O meu irmão mais velho, em muitos momentos, foi pai e mãe ao mesmo tempo. Nos ajudava a arrumar o cabelo para a escola, limpava nossos sapatos, carregando responsabilidades que nem todo adulto teria maturidade para suportar. Hoje talvez até parecesse absurdo colocar tamanho peso sobre alguém tão novo, mas ele carregou.
E talvez ele nem saiba disso, mas eu ainda o enxergo como pai em muitos aspectos. Como referência de disciplina, evolução, maturidade e proteção.
Ao lado dele, eu sempre me senti segura. Como se os problemas não fossem tão assustadores, porque eu sabia que, ao lado dele e dos meus irmãos, tudo seria possível de resolver.
A minha irmã mais velha sempre carregou uma maturidade emocional impressionante. Havia doçura no olhar, mas também a força de uma leoa. Ela sustentava equilíbrio dentro do nosso lar.
Sempre esteve à frente emocionalmente, espiritualmente e mentalmente. Evitava discussões, evitava conflitos desnecessários e focava no que realmente importava: a resolução, a paz e o cuidado com todos.
Ela sempre foi uma fortaleza. Uma mulher consciente, admirável, responsável. Talvez por isso evitasse tantas travessuras e brincadeiras perigosas que fazíamos. Enquanto nós vivíamos o impulso da infância, ela já parecia enxergar a vida alguns passos à frente.
E então vem a minha irmã mais nova. Minha velha parceira de guerra.
Ela carregava uma personalidade forte, mas junto dela vinha algo impossível de ignorar: a beleza de viver. Com ela, tudo virava aventura. As risadas eram genuínas, a felicidade parecia natural, quase inata.
Todo mundo queria estar perto dela. Todo mundo queria participar, porque ela fazia diferença nos ambientes. Tinha um raciocínio rápido, uma presença marcante e uma força admirável.
Mas junto dessa força, existia também um lado profundamente doce e emotivo. Um lado empático que, ao longo dos anos, foi ganhando ainda mais espaço dentro dela.
Falar sobre irmãos é quase falar sobre almas que nasceram conectadas. É quase como falar de partes de você espalhadas em outros corpos.
Não existe forma de olhar para quem eu me tornei sem enxergar neles pedaços da minha construção.
E é bonito perceber como a vida foi moldando cada um de nós. Como fomos crescendo, amadurecendo, mudando.
Porque crescer também é um constante adeus.
Vamos nos despedindo de versões antigas para dar espaço às novas formas de viver, aos novos sonhos, às novas responsabilidades.
Mas existe uma certeza que permanece intacta dentro de mim: eu sei que posso contar com eles. E acredito que eles também saibam que podem contar comigo.
Mesmo com a distância. Mesmo com a correria da vida.
Ainda existe esse lugar de confiança. Esse porto seguro invisível que continua existindo entre nós.
E espero que eles saibam também que, apesar de todas as mudanças da vida, eu ainda os enxergo com o mesmo olhar de quando éramos crianças.
O cuidado permanece.
E mesmo que, às vezes, pareça excesso querer saber da vida um do outro, não é curiosidade. É amor que aprendeu a cuidar cedo demais e nunca desaprendeu.
Então, essa é uma dedicatória a todos os irmãos que, de alguma forma, foram e continuam sendo esse porto seguro na vida de alguém.
Por Geovana Constantino