O tempo de florescer

O tempo de florescer

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Hoje eu entrei no Facebook depois de receber uma notificação no celular. Era uma lembrança de 11 anos atrás: uma imagem que eu mesma tinha postado. E o texto falava sobre uma pessoa que não gostava de receber flores, mas preferia receber sementes. Porque havia alegria em acompanhar o processo plantar, cuidar, regar, ver crescer… até mesmo ver murchar, se fosse o caso. Não por gostar do fim, mas por não se encantar tanto com aquilo que é rápido demais, que vem e vai sem tempo de criar raiz. Era sobre amar o que se constrói, o que se desenvolve, o que frutifica.

E o mais curioso é que, lá atrás, esse texto já mexia muito comigo. Já fazia sentido com quem eu era naquele momento. E hoje, 11 anos depois, ele continua fazendo talvez até mais.

Pensando nisso, fiz uma analogia com a vida. Tem pessoas que amam receber buquês de flores e isso é lindo. Mas existem outras, como eu, que preferem sementes. Porque o encanto está no processo. No cuidar. No acompanhar. No ver crescer.

Só que a vida hoje é corrida demais. A gente vive no imediatismo. Quer tudo rápido: comida rápida, respostas rápidas, relações rápidas. A gente se apaixona de um dia para o outro, quer intensidade instantânea. Quer sucesso imediato, reconhecimento imediato, viralizar de um dia para o outro. Tudo precisa acontecer agora.

E tudo bem… mas nem todo mundo funciona assim.

Existem pessoas e eu me incluo nelas que encontram beleza no tempo das coisas. No processo. Em regar todos os dias, mesmo sem ver resultado imediato. Porque isso exige presença, exige cuidado, exige entrega. E hoje o tempo parece ser justamente o que mais nos falta.

Mas, ainda assim, é tão gostoso quando a gente para e observa algo crescer.

Quando colocamos intenção, quando colocamos a mão, quando investimos tempo. E não falo só de plantas, falo da vida.

Penso, por exemplo, no “Cartas para Você”, o site que eu criei. Claro que, às vezes, bate aquela vontade de ver tudo acontecer rápido, de um vídeo viralizar, de crescer de um dia para o outro. Mas existe algo muito bonito em acompanhar a construção. Ver a marca nascendo, tomando forma, ganhando alma. Ver o carinho sendo colocado em cada detalhe, em cada mensagem. É algo que vem do coração e isso tem um tempo próprio.

E olhando para mim, eu percebo que nunca fui uma pessoa de coisas rasas. Sempre tive uma alma mais profunda. Nunca fui de muitas conversas superficiais. Sempre valorizei relações em que eu pudesse investir, cuidar, ver crescer com o tempo. Relações que permanecem, que se fortalecem, que se multiplicam.

E, no fundo, é assim que a gente constrói a vida também.

Então fica aqui um convite principalmente para quem se sente ansioso, imediatista: permita que o tempo faça parte do processo. Faça a sua parte, claro. Plante, cuide, regue. Não espere que tudo caia do céu. Mas também não tente acelerar o que precisa de tempo para existir de verdade.

Dê espaço. Dê tempo. Confie no processo.

E, mais do que isso, seja também uma semente.

Não apenas nos seus projetos, mas em você mesma. Permita-se crescer, evoluir, se fortalecer. Use a vida como terra, como adubo, como fonte de nutrição.

Porque, no tempo certo, você floresce.

Por Geovana Constantino