
Sacuda a poeira dos seus pés
4 min de leitura
Muito se fala sobre perseverança, sabedoria e resiliência em tempos difíceis. E tudo isso é de extremo valor. Eu concordo que, em muitas situações, precisamos permanecer firmes e perseverantes para que o efeito de uma onda negativa não nos afunde.
Mas pouco se fala sobre o impulso que você precisa tomar. Sobre a coragem que você precisa ter para sacudir a poeira dos seus pés quando não é bem-vindo ou quando não é bem recebido.
E, quando eu digo “não ser bem recebido”, não me refiro apenas a lugares físicos, mas também à presença de outras pessoas. Refiro-me a ambientes em que a sua presença não é respeitada, não é valorizada, não é verdadeiramente apreciada.
Esse é um tema que tem ecoado bastante dentro da minha casa e, principalmente, dentro de mim. Aos poucos, estou entendendo mais profundamente o que isso significa.
Acredito que muitos, assim como eu, tiveram sua existência construída sobre princípios religiosos. Crescemos ouvindo que os justos herdariam a Terra, mas que, para isso, precisariam passar por provações. Que a dor era uma forma de Deus nos provar. Que, às vezes, era preciso viver a humilhação como um ato de obediência. Que seria necessário atravessar um caminho escuro para, enfim, alcançar a luz.
Mas hoje eu me faço uma pergunta e proponho que você também reflita sobre ela:
E se não for tão tortuoso assim?
E se não existir esse caminho escuro que precisamos atravessar?
E se for possível caminhar pela luz desde o início e chegar ao outro lado sem carregar tantas dores, tantas aflições e tanto sofrimento?
Digo isso porque, muitas vezes, confundimos perseverança com autoagressão.
Permanecemos em lugares, situações e relações onde não somos respeitados. Onde nossa voz não tem valor. Onde nosso conhecimento é ignorado. Onde nossa presença é tratada como se fosse indiferente.
E, por mais que também seja verdade que precisamos desenvolver força para não depender da aprovação de ninguém, existe uma pergunta que precisa ser feita:
Até que ponto estamos nos colocando em primeiro lugar?
Pense no ambiente de trabalho. Você realiza um bom trabalho, dentro daquilo que acredita ser o seu melhor. Mas as pessoas não confiam em você. Não valorizam suas ideias. Não respeitam sua presença. E isso machuca.
Então você acredita que perseverar significa continuar se submetendo a essas pequenas agressões. Às brincadeiras. Aos constrangimentos. Aos episódios de desrespeito. Como se suportar tudo isso fosse uma forma de agradar a Deus, acreditando que, depois dessa fase difícil, finalmente virá a recompensa.
Mas hoje eu quero propor uma outra ideia.
Talvez você possa, simplesmente, tomar as rédeas da sua vida.
Sacudir a poeira dos seus pés, como na passagem bíblica e ir embora.
E, muitas vezes, ir embora não significa apenas sair daquele lugar por um instante. Significa dizer adeus. Encerrar um ciclo.
Porque, quando você se valoriza, quando estabelece limites e se posiciona com amor, mas também com firmeza, você está dizendo para si mesmo:
“Eu me valorizo mais do que isso.”
Quantas vezes já nos submetemos a situações dentro de relacionamentos, no trabalho ou até mesmo dentro da nossa própria casa, permitindo que outras pessoas definissem quem nós éramos?
E, pior do que isso, quantas vezes acreditamos na versão que o outro criou sobre nós?
Mas o olhar do outro pertence ao outro. Não a você.
Por isso, a ideia de sacudir a poeira dos pés é exatamente essa: seja firme. Vá embora quando for necessário. Escolha estar em lugares onde você seja amado, respeitado e escolhido.
Tenha coragem.
Porque a maior pessoa beneficiada por essa decisão será você.
Não tenha medo do que as pessoas vão pensar.
Não tenha medo de pedir demissão por acreditar que nunca encontrará outro emprego.
Não tenha medo de encerrar um relacionamento por acreditar que ninguém mais irá amar você.
Não tenha medo de conversar seriamente com a sua liderança por imaginar que será visto como alguém difícil.
Não tenha medo.
Esse é o meu primeiro conselho.
Acredite em você.
Acredite na sua verdade.
E, mesmo que naquele momento seja necessário reunir mais coragem do que você imagina ter, faça assim mesmo.
Não tenha medo de se expor.
Não tenha medo de ser quem você veio para ser.
Viver à sombra de outras pessoas talvez seja uma das formas mais dolorosas de existir.
Porque, quando alguém perguntar sobre a sua história, você perceberá que tem apenas histórias dos outros para contar, e não a sua.
Esperar que outras pessoas decidam por você. Esperar que façam planos para que você apenas acompanhe. Esperar que escolham o caminho que você deveria trilhar.
Isso não é viver.
Você é o autor da sua própria história. Não permita que outras pessoas ditem quem você deve ser ou como deve agir. Tome autoridade sobre a sua vida.
Por Geovana Constantino